segunda-feira, setembro 17, 2007

Livros, Discos e Sei Lá Mais o Quê # 12

Sei Lá Mais o Quê indicado: Sacha Baron Cohen

Dizem por aí que piada explicada não presta. Entretanto, quando o assunto é humor, podemos afirmar sem medo que existe uma tensão inerente ao ato de achar graça. Isto ocorre porque os estratagemas utilizados para se fazer piada de algo ou alguém exigem, impreterivelmente, um interlocutor digno de compreendê-los e, assim, oferecer o feedback necessário para a consumação da pilhéria. Acontece que nem sempre humorista e receptor se encontram em sintonia, prejudicando não só a piada como, sobretudo, aquele que a conta - como parece ser o caso do humorista inglês Sacha Baron Cohen, protagonista do filme Borat e do programa Da Ali G Show (canal Sony, terças-feiras, 22:30).

De fato, à primeira vista, o tipo de humor utilizado pelo comediante parece não ultrapassar a seara do besteirol politicamente incorreto. Contudo, ao observador mais atento, Sacha Baron revela em suas esquetes um humor perspicaz e inteligente que se aproveita da credulidade e preconceitos alheios. O personagem Borat, por exemplo, só é viável graças a visão extremamente distorcida que possuem ingleses e americanos sobre "povos distantes e exóticos", como o Cazaquistão - terra natal do personagem. Aproveitando-se dos estigmas e da visão torpe ocidental sobre o oriente, Sacha Baron é capaz de extrair o lado mais negro de cada um sem que sequer percebam. É no ápice desse constrangimento que encontramos uma das formas de humor mais criativas e inteligentes dos últimos tempos e, muito embora existam pessoas capazes de associá-lo à estupidez gratuita da série Jackass, sem dúvidas veio para ficar.

Se alguém ainda duvida da capacidade do cara parabéns, pois tem muita gente boa que acredita - e por isso é alvo de seu humor - em histórias como essa logo abaixo, a saber, a biografia fictícia do "segundo melhor repórter do glorioso país Cazaquistão":


BIOGRAFIA:

Filho de
Asimbala Sagdiyev e Boltok, o Estuprador — de quem também é neto —, nasceu em 30 de julho de 1972 na vila fictícia de Kuzcek, no Cazaquistão. Se diverte jogando pingue-pongue, dançando música Disco e fotografando mulheres enquanto elas vão ao banheiro. Viúvo, comemora a morte da primeira esposa Oxanna — violentada e comida por um urso — e já comprou uma nova mulher, que, apesar de cozinhar bem e puxar firme a carroça, três anos mais tarde — ao completar 15 anos — começou a ficar com a voz grossa, ganhar pêlos pelo corpo e ficar com a vagina mais larga do que um saco vazio. Mais tarde se casou de novo, arranjou uma patroa, uma namorada e uma profissional que vale cada centavo.

Tem um filho de 13 chamado
Hooeylewis e dois gêmeos de 12, Biram e Bilak, sendo também avô de dezessete crianças — algumas ele planeja vender para a popstar Madonna. Na sua família ainda estão a irmã mais velha Natalya — a quarta melhor prostituta do país (sexta depois da turnê das Pussycat Dolls) — e o caçula Bilo — retardado com a cabeça em forma de espiga e mais de duzentos dentes. Em sua viagem aos Eu e A, em busca de um romance com Pamela Anderson, conheceu Luenell, com a qual uniu laços, nas ruas.

Respeitado apresentador de telejornal na sua pátria natal, é membro do quadro de honra da Universidade de Astana, onde se formou com louvor não só em jornalismo mas em inglês e no estudo da Praga. Prestou durante longos anos serviços ao governo criando cinco novas pragas que devastaram cinco milhões de cabras no Uzbequistão, sem contar a época em que fez gelo, foi guardador de sêmen de animais, caçador de ciganos e removedor de pássaros mortos em um computador.

Pagão até fazer amizade com os pentecostais e converter toda a sua vila ao cristianismo, admira a visão política de Joseph Stalin por causa do forte e poderoso pênis do ex-ditador russo e apóia o presidente Bush na sua guerra de terror.

fonte da biografia: Wikipedia.

8 comentários:

4rthur disse...

Borat é mais um que se diverte com gente crédula!

The Immature Girl disse...

eu gosto quando ele quer dar dois beijinhois nos americanos, eles travam bonito!

na realidade, se fosse aqui no brasil, o entrevistado na hora diria, "tá brincando comigo né?" mas como os americanos e ingleses têm um forte preconceito contra pessoas de países exóticos (por causa dos imigrantes), eles acabam não falando nada com medo de passarem por preconceituosos...

seria um paradoxo, ou um ciclo vicioso?

Henrique disse...

Eu não posso dizer que não gosto do estilo de Sascha, embora seu melhor papel tenha sido o de Rei dos Lêmures em Madagascar.
Posso dizer, no entanto, que Borat em longa metragem peca na agilidade e acaba arrastando a piada.
Para puxar o saco, falta no longa metragem o que sobra neste blog: timing.
No mais, tive chance de rir de algumas esquetes com Lelo através do Youtube. E acho que essa é uma boa forma de reunir os amigos: juntarmo-nos para ver algumas sessões de Tela Class e Ali G Show juntos.
Eu até gravo os Cd's, é só marcar a data

gigi disse...

eu não tenho muito saco pra qualquer tipo de humor. sou ranzinza.

dig, vou te mandar um e-mail.

bjs

Vivi disse...

Ótima indicação! (comentário curto e direto de quem anda sem tempo)

Fabrício Fortes disse...

Sr. Lyra,
és um sujeito realmente impagável!

SAMANTHA ABREU disse...

Diogo... concordo com a Gigi. Sou chata pra comédia.
Pra comédia inteligente, então... ixi!

mas tenho que concordar: a biografia é mais, beeeeem mais, engraçada do que o filme.

ahahahaa
beijos!

Adoniran Leblon disse...

Acho que esse tipo de filme, com humor que parece besteirol mas que no fundo é um algo mais disfarçado, tem um mérito muito grande: ele tem uma mensagem que presta MAS AO MESMO TEMPO é um filme que CONSEGUE SE INFILTRAR. Muita gente vê o filme só porque é idiota e tosco (o cara ou o filme? o cara acha que é o filme que é idiota e tosco, mas no fundo o cara vai sozinho nessa... rs). Então! Mas daí algumas pessoas vão sacando qual é a do filme, e isso trás um pouco de discussão para a superfície. Não que o filme eduque as massas, não creio que tantos assim migrem do besteirol para a reflexão... Mas creio que um senso de estranheza afete muitas pessoas sim e na direção certa. Quanto aos que só acharam o filme um monte de besteiras, paciência... Duvido que tenham sido "piorados" por conta dessa interpretação incompleta.