sexta-feira, abril 11, 2008

- Dizem que o Fundo de Quintal Literário acabou.

- Puxa, que pena. Mas quando foi que ele existiu?

- É uma boa pergunta...

terça-feira, março 25, 2008


"É dos carecas que as nações gostam mais"

domingo, março 16, 2008

Começou como um caso

e terminou dizendo "eu caso".

quarta-feira, março 12, 2008

AS PALAVRAS
SÁBIAS DO
SENHOR
PLAYMOBIL........... (13)


"Quanto menos o ornitorrinco se conhece
mais ele acha o coala esquisito"

quarta-feira, março 05, 2008

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Apropriações Indébitas # 12


Vez por outra nosso Fundo de Quintal Literário trará até vocês algumas das melhores postagens de outros blogs, procurando, assim, superar suas próprias limitações criativas e, sobretudo, homenagear as mentes em atividade na rede. Assim, dando prosseguimento à série, um post original de:


Marcelo Diana




Time is Monet.


* pra se perder por aí é só visitar estes

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Eram tantos os olhares por ele recebidos que, como de costume, caiu maravilhado consigo mesmo, sorrindo durante toda a festa sem se dar conta da casca de feijão colada aos dentes.

domingo, fevereiro 10, 2008



O bastão dos 30


Oh, homem que tanto sonha ser mais

Livra teus ombros pesados

Lavra tua mente vazia

E entende,

De uma vez por todas,

Que entre o tudo e o nada

Sempre existe algo

Que se pode alcançar

Com as próprias mãos.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

"Não meta o nariz onde não é chamado"


segunda-feira, dezembro 03, 2007



Para você que, inacreditavelmente, sente saudades deste espaço literalmente insano, preparamos uma singela lembrancinha: uma coletânea de contos, crônicas e poemas do Honorável Sr. Lyra subscrita pelo sugestivo título "Dos papéis na gaveta"!!! Os escritos vêm acompanhados de desenhos e encontram-se no formato pdf. Se impresso, o conteúdo pode, além de distraí-lo no banheiro, suprir uma eventual falta de papel higiênico...

Para fazer o download basta clicar no link abaixo:

segunda-feira, outubro 08, 2007



quinta-feira, outubro 04, 2007

Contos de Quinta...




Meus cumprimentos a todos os leitores desse espaço virtual. Como explica o título, sou o Monsieur Du Contraux, Alexis Du Contraux - para ser mais exato - e é com muito orgulho que hoje inicio meus trabalhos como colunista do Fundo de Quintal Literário. Bem, feitas as apresentações, creio que é hora de ir direto ao tema de minhas reflexões auspiciosas desse mês, isto é, sobre como a alimentação vegetariana consiste, ao fim e ao cabo, em um modelo alimentar cruel, pretensioso e politicamente incorreto.

Em primeiro lugar devo chamar atenção para uma das premissas mais clássicas da filosofia vegetariana, cujas bases se assentam sobre o desejo de não se alimentar com nada que um dia tenha sido um ser vivo. Muito embora a carne seja o principal vilão nesse contexto, é preciso ressaltar que certos grupos radicais como os “vegan” incluem no rol de interdições alimentos como o queijo, o leite e até mesmo a água com gás. Muito bonito, mas vejamos isso de perto.

Ora bolas, tudo bem que eles não queiram comer carne, mas isso não quer dizer que eles não tenham que matar para se alimentar – afinal todas as plantinhas espalhadas pelo globo são, definitivamente, seres vivos! E o pior é que, negando esta condição às plantas, aos vegetais, às árvores e seus frutos, e folhas e flores belíssimas, esses tais naturebas vão espalhando a morte e promovendo uma verdadeira “vegetificina”.

Sim, meus caros amigos, são palavras duras, mas nem por isso levianas. Há anos esse massacre vem ocorrendo e desde os anos 60 não poupa machos, fêmeas e, principalmente, crianças – uma vez que o índice de mortandade entre os brotos de feijão, bambu e grama já se encontra entre os maiores de todo o globo. Só para se ter uma idéia, para cada vitela (tipo de carne oriunda de bezerros molengas) que chega às mesas do consumidor, são assassinados cerca de 875.600 brotos vegetais, muitos deles na presença dos próprios genitores.

Além disso, muitos desses homens e mulheres bebem o sangue de suas vítimas, que chamam de “suco de clorofila” como se o cientificismo da nomenclatura pudesse abstê-los da culpa e da verdade por trás de seus atos supostamente bem-intencionados. Com sua postura leviana os vegetarianos conseguem ser nocivos não só aos pobres vegetais como, também, aos homo sapiens e ao planeta como um todo – visto que, em tempos de aquecimento global e desastres ecológicos, o extermínio das populações verdes com objetivos predatórios alimentares pode ter efeitos catastróficos para nosso meio ambiente.

Finalmente, gostaria de terminar minha breve digressão com um apelo para que todos os seres humanos desse planeta se unam contra os vegetarianos de todo o tipo, promovendo a aniquilação de sua maldosa filosofia de vida em prol de um mundo mais sadio, com mesas fartas e florestas densas – lembrando que, se por um lado os vegetais são capazes de produzir seu próprio alimento, por outro, se uma vaca pudesse, ela devoraria você e toda a sua família.

Preserve o verde. Coma carne.





Monsieur Alexis Du Contraux é intelectual, é francês, é o dono da verdade e trabalha para o Fundo de Quintal Literário.



terça-feira, setembro 25, 2007


Quando finalmente aprendeu a conviver com as dores terríveis no estômago, a tremedeira constante e o incômodo suor frio proveniente da abstinência de drogas, concluiu que, de fato, tinha adentrado o reino da vida saudável.

domingo, setembro 23, 2007


"Quem com porcos se mistura, farelo come"

quinta-feira, setembro 20, 2007

Contos de Quinta...


para Samantha Abreu


Se pudesse contradizer a ordem natural das coisas e, assim, tornar-se a última testemunha do seu ato final de existência, veria em posição privilegiada o balé descendente da rosa, confundindo em espirais de vermelho-sangue a placidez do azul celeste e a palidez de sua carne tesa rente à madeira. Ali, deitada, como se nunca tivesse levantado para a vida, foi agraciada também por amarelos, brancos e roxos – um mar de cores insensatas que se misturavam, entre pétalas impotentes, diante da força e da presença do vermelho fúnebre.

Sentia o desconforto escorrer-lhe pelo corpo insinuante, massacrando com seu odor ocre e viscosidade magmática a mocidade límpida de seus treze anos de idade. Jamais esqueceria aquele momento de apoteose caótica, quando então o sangue desceu por entre suas pernas trêmulas de medo e anunciou, como quem canta, o fim do primeiro ciclo de sua inocência: “Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo, tende piedade de nós. Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo, tende piedade de nós. Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo, tende piedade de nós”.

Contudo, apesar da eloqüência do sangue, não era dele que emanava o mantra cristão que ressoaria em seus ouvidos ainda por muito tempo. O sangue, o som, a sanha daquele momento, tudo, enfim, provinha dela, a Mãe. E pensava nela, a Senhora Perfeita, que com toda sua educação privilegiada, sua mania de limpeza, sua beleza pasteurizada por plásticas e perfumes importados, também não conseguiu evitar, nos seus jovens tempos, esse mesmo constrangimento. De certa forma, era essa íntima ligação entre ela e a Mãe a razão de seu desespero, como se a descamação do endométrio a tornasse uma versão mais jovem daquela Mulher que beijava carinho e soprava álcool de lábios tingidos de batom vermelho. Vermelho, vermelho, vermelho-sangue...

Não soltou um único gemido de prazer e tudo o que dela saiu foram gritos de dor. Uma dor lacerante que lhe varria o corpo como impingisse, de dentro para fora, um renascimento completo, deflorando por inteiro a menina que se tornava, de uma vez por todas, a mulher que ainda não se preparara para ser. No lençol, atestando a ardência íntima de suas partes menos conhecidas, uma mancha vermelha de proporções médias, colorido único de um cenário negro por excelência: “Puta, puta, puta – igualzinho sua Mãe. Puta, puta, puta – igualzinho sua Mãe. Puta, puta, puta – igualzinho sua Mãe”.

Os gritos pareciam ser todos dela, mas o sangue, o silvo, o sexo daquela encenação eram protagonizados por ele, o Pai. O Homem, que chegava em casa tarde da noite com os cabelos tão molhados que ensopava de lágrimas o rosto da Mãe, acenava seu contracheque parrudo com a mão esquerda, enquanto traçava no ar, com toda sua potência destra, o arco que estalaria em cinco dedos no rosto da esposa ébria e descontente. Era nesses momentos que explodia toda a ambigüidade da menina, quando, apavorada, sentia-se também tomada por ondas de uma jubilante admiração. Entretanto, ainda que devota daquele homem oprimido pelo nó da gravata, quando tentava se lembrar, tudo o que podia ver eram seus olhos repletos de ira, desenhada em gráficos de traço vermelho. Vermelho, vermelho, vermelho-sangue...

Havia por fim encontrado a paz. Pode-se dizer que mergulhara em um mar de segundos infinitos, onde nadou em ondas silenciosas logo que seus tímpanos explodiram com o estampido seco e libertador do disparo. Quente e viscoso como nunca antes, o arauto rubro inundou seu corpo de redenção e, como fosse prova cabal de sua expiação e sacrifício, parecia render louros ao destino salvador: “Vai morrer pra aprender que mulher de malandro nasceu pra levar pau. Vai morrer pra aprender que mulher de malandro nasceu pra levar pau. Vai morrer pra aprender que mulher de malandro nasceu pra levar pau”.

Pareciam ser do rapaz com o qual se juntara – para a valsa de uma paixão violenta – os urros de ódio e ressentimento a encerrar o romance proibido que lhe custara o desgosto da família e sua saída de casa. Mas, pela primeira vez na vida, o sangue, o sonho, a soma de todo um momento eram inteiramente seus e de mais ninguém. Fechou os olhos e sentiu a escuridão avançar, ainda que o sol preenchesse de luz suas pálpebras banhadas de um sossego vermelho. Vermelho, vermelho, vermelho-sangue.

terça-feira, setembro 18, 2007

segunda-feira, setembro 17, 2007

Livros, Discos e Sei Lá Mais o Quê # 12

Sei Lá Mais o Quê indicado: Sacha Baron Cohen

Dizem por aí que piada explicada não presta. Entretanto, quando o assunto é humor, podemos afirmar sem medo que existe uma tensão inerente ao ato de achar graça. Isto ocorre porque os estratagemas utilizados para se fazer piada de algo ou alguém exigem, impreterivelmente, um interlocutor digno de compreendê-los e, assim, oferecer o feedback necessário para a consumação da pilhéria. Acontece que nem sempre humorista e receptor se encontram em sintonia, prejudicando não só a piada como, sobretudo, aquele que a conta - como parece ser o caso do humorista inglês Sacha Baron Cohen, protagonista do filme Borat e do programa Da Ali G Show (canal Sony, terças-feiras, 22:30).

De fato, à primeira vista, o tipo de humor utilizado pelo comediante parece não ultrapassar a seara do besteirol politicamente incorreto. Contudo, ao observador mais atento, Sacha Baron revela em suas esquetes um humor perspicaz e inteligente que se aproveita da credulidade e preconceitos alheios. O personagem Borat, por exemplo, só é viável graças a visão extremamente distorcida que possuem ingleses e americanos sobre "povos distantes e exóticos", como o Cazaquistão - terra natal do personagem. Aproveitando-se dos estigmas e da visão torpe ocidental sobre o oriente, Sacha Baron é capaz de extrair o lado mais negro de cada um sem que sequer percebam. É no ápice desse constrangimento que encontramos uma das formas de humor mais criativas e inteligentes dos últimos tempos e, muito embora existam pessoas capazes de associá-lo à estupidez gratuita da série Jackass, sem dúvidas veio para ficar.

Se alguém ainda duvida da capacidade do cara parabéns, pois tem muita gente boa que acredita - e por isso é alvo de seu humor - em histórias como essa logo abaixo, a saber, a biografia fictícia do "segundo melhor repórter do glorioso país Cazaquistão":


BIOGRAFIA:

Filho de
Asimbala Sagdiyev e Boltok, o Estuprador — de quem também é neto —, nasceu em 30 de julho de 1972 na vila fictícia de Kuzcek, no Cazaquistão. Se diverte jogando pingue-pongue, dançando música Disco e fotografando mulheres enquanto elas vão ao banheiro. Viúvo, comemora a morte da primeira esposa Oxanna — violentada e comida por um urso — e já comprou uma nova mulher, que, apesar de cozinhar bem e puxar firme a carroça, três anos mais tarde — ao completar 15 anos — começou a ficar com a voz grossa, ganhar pêlos pelo corpo e ficar com a vagina mais larga do que um saco vazio. Mais tarde se casou de novo, arranjou uma patroa, uma namorada e uma profissional que vale cada centavo.

Tem um filho de 13 chamado
Hooeylewis e dois gêmeos de 12, Biram e Bilak, sendo também avô de dezessete crianças — algumas ele planeja vender para a popstar Madonna. Na sua família ainda estão a irmã mais velha Natalya — a quarta melhor prostituta do país (sexta depois da turnê das Pussycat Dolls) — e o caçula Bilo — retardado com a cabeça em forma de espiga e mais de duzentos dentes. Em sua viagem aos Eu e A, em busca de um romance com Pamela Anderson, conheceu Luenell, com a qual uniu laços, nas ruas.

Respeitado apresentador de telejornal na sua pátria natal, é membro do quadro de honra da Universidade de Astana, onde se formou com louvor não só em jornalismo mas em inglês e no estudo da Praga. Prestou durante longos anos serviços ao governo criando cinco novas pragas que devastaram cinco milhões de cabras no Uzbequistão, sem contar a época em que fez gelo, foi guardador de sêmen de animais, caçador de ciganos e removedor de pássaros mortos em um computador.

Pagão até fazer amizade com os pentecostais e converter toda a sua vila ao cristianismo, admira a visão política de Joseph Stalin por causa do forte e poderoso pênis do ex-ditador russo e apóia o presidente Bush na sua guerra de terror.

fonte da biografia: Wikipedia.

domingo, setembro 16, 2007


"Eu quero ter um milhão de amigos
e bem mais forte poder cantar"

quinta-feira, setembro 13, 2007

ATENÇÃO JOVENS:
O MUNDO FINALMENTE É
UM LUGAR MELHOR...


... POIS O
FUNDO DE QUINTAL LITERÁRIO
VOLTOU!


Sim amigos, o momento pelo qual todos esperavam ansiosamente finalmente se concretizou: o FQL retorna, após largo período de exílio virtual, com força total! É hora de enxugar as lágrimas, depor o ar melancólico da face, fazer um curativo nos pulsos cortados, abrir as janelas virtuais e deixar entrar o sol da felicidade que só mesmo o Fundo de Quintal Literário é capaz de irradiar!!! Sigam-me os bons!!! E os mais ou menos também!!!

quinta-feira, setembro 06, 2007

segunda-feira, setembro 03, 2007

Dormindo com o Inimigo
Amigos do FQL, infelizmente estamos passando por dificuldades técnicas ocasionadas por um daqueles vírus espiões instalado no meu PC. Isso quer dizer que estou impossibilitado de acessar a internet de casa, pois tal ação implica dividir meu computador com um estranho do além virtual. Desta feita, rogo pela canalização da energia positiva de todos os nossos milhões de leitores para que meus intrépidos amigos Athos e Lelo possam resolver este problema.
Até breve.
(ou nem tão breve assim).

quinta-feira, agosto 30, 2007

Contos de Quinta...

De: Nestor
Para: Humanidade

(carta 3)


Aqui estamos nós, outra vez, interagindo à distância, como convém aos humanos quando querem parecer civilizados. Obviamente que, considerada a ontologia da palavra “civilização”, nunca levei o termo realmente a sério e se o utilizo aqui é apenas porque sou humano e, nesse caso, leviano como vocês.

Eu finjo, como finge qualquer ser humano, que construo uma rede de relações saudáveis, que respeito seus componentes, que os tenho amor e que entregaria a minha própria vida, sem pensar, por qualquer um deles. Eu minto, como eles mentem. Nós mentimos, eu e você, sempre que estamos juntos – e assim somos felizes.

Mas o pior não é mentir para os outros – “seu vestido é lindo” – nem mentir para si mesmo – “eu não tenho culpa” – pois, afinal, somos apenas humanos. A grande insensatez, por incrível que pareça, é a tal noção da verdade. Perdão pela sinceridade, mas somos todos grandes loucos se cremos de alguma forma na existência dessa dama mordaz e passional que, desde já, será registrada sob o peso da maiúscula: Verdade.

Dama ou meretriz, a Verdade consiste, na verdade, no Deus único, de cada homem único, que forma o imenso panteão do monoteísmo politeísta da humanidade. Cada homem guarda consigo uma aurora, enfiada no bolso, pronta para ser sacada e iluminar igualmente todo o coletivo com o peso de sua grandiloqüência.

Digo que a Verdade é tão sordidamente humana justamente por se pretender sobre-humana; ela não verga e prevalece, supostamente, diante de tudo e todos, como uma tela de cinema que exibe seu conteúdo inconteste para um espectador passivo. A Verdade alimenta as guerras, opõe egos, depõe a sensatez e distancia o homem de sua verdadeira missão: a insignificância consciente.

Ah, quantas vezes me vi solapado por inúmeras Verdades, tão cruéis e nitidamente tão parciais que, ao fim e ao cabo, eram menos que demonstrações miseráveis de arrogância e descontrole. A Verdade é o cristianismo, o judaísmo, o terrorismo e todas as outras religiões; a Verdade é a política externa norte-americana e os desmentidos da Ciência. Não, a Verdade não está lá fora, nem aqui dentro. Ela se arrasta por entre pedras e lama e aponta a saída do paraíso.

Como ser humano que sou, desde 1910, reverencio a mentira dentro de seus contornos bem definidos e essencialmente humanos: ela é moldável, adaptável aos sujeitos e situações, ela é calculada, refletida e socialmente culpável. A mentira é o conforto da alma e o asilo das relações. Ela se opõe à Verdade e, entre uma e outra, estabelecemos a distância como ponto morto das nossas próprias intolerâncias.

Eu não tolero os humanos, a despeito de sê-lo. Eu minto, contudo. Por isso só falo a Verdade.


* Para ler as outras cartas do velho Nestor:

Carta 01

Carta 02


segunda-feira, agosto 27, 2007




Caros leitores, o Fundo de Quintal Literário encontra-se em plena fase de reestruturação para servir melhor toda a família brasileira. Neste exato momento as mentes mais brilhantes de todo o globo estão reunidas para transformar este blog em um espaço ainda melhor. É claro que andaram espalhando por aí que nós tentamos vender o FQL para um grupo de empresários japoneses e que eles ofereceram uma ninharia, mas tal boato é apenas maldade dos ricos e poderosos que planejam calar o Honorável Sr. Lyra - também acusado de verme preguiçoso - em sua luta pela justiça e solidariedade.

Não temam jovens, na próxima quinta-feira o Fundo de Quintal Literário faz sua reinauguração e retoma o fluxo natural das atividades. Enquanto nada acontece, preparamos para vocês um delicioso checklist, com algumas postagens de segunda categoria que, no caso, venderei aos senhores como "preciosidades do passado".

Cordialmente,

Lao Chi Chi.


terça-feira, agosto 21, 2007


EVITE
A
SENTENÇA...



por Dr. Iohannas Beebop.




1) Devo cortar o fio vermelho ou o azul?!

2) Isso não me parece um clitóris avantajado.

3) Tranquilo, chegando lá o pessoal me empresta algum...


(porque existem coisas que só são feitas
para provar que nunca deveriam ter sido feitas)


segunda-feira, agosto 20, 2007





Collor indica: Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Márquez.







FHC indica: A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Julio Verne.








Lula indica: A Mão Esquerda, de Fausto Wolff




sexta-feira, agosto 17, 2007




"Você não gosta de mim, mas sua filha gosta"


terça-feira, agosto 14, 2007




Ela, que carregava o emblema da ansiedade desde o nascimento prematuro aos sete meses da gestação, saiu de casa apressada para uma entrevista e, sem pensar nos filhos que gostaria de ter, no carro que gostaria de comprar, sem nem pensar ao menos na doce vovó que, sentada, lhe suplicava para que tomasse o café-da-manhã, lançou-se à vida e foi atingida por um automóvel, morrendo precocemente aos 29 anos de idade.


domingo, agosto 12, 2007



"Mais vale um pai na mão do que dois voando"


sábado, agosto 11, 2007


Vez por outra nosso Fundo de Quintal Literário trará até vocês algumas das melhores postagens de outros blogs, procurando, assim, superar suas próprias limitações criativas e, sobretudo, homenagear as mentes em atividade na rede. Assim, dando prosseguimento à série, um post original de:


Gigi


cenas cariocas.

[praça XV. 13h. ponto final do 268]

– er... toma aqui sua pizza.

– não quero. você sempre me deixa com fome! fui te dar um pedaço da minha pizza, você avançou nela que nem um bicho... derrubou no chão... seu bicho!

– mas aqui... comprei outra pra você! toma!

– comprou com que dinheiro que você não tem dinheiro? você nunca tem dinheiro, você não comprou merda nenhuma. essa é aquela do chão. seu bicho!

– não... eu comprei!

– essa é aquela do chão, eu que não como isso. tá pensando que eu como lavagem? quem come lavagem é a sua mãe!

– escuta aqui, agora você está passando dos limites. me dá um trago desse cigarro aí!

– não dou, não! não dou trago nenhum não que teu ônibus vai sair... senão você vai derrubar o meu cigarro, seu bicho! não tem educação não? parece que foi criado no mato... EEEEUUU fui criada no mato e tenho educação! seu bicho!

– err...

– e tua irmã, que trabalha na termas?

– ...

* Textos com visões inusitadas, escritos no bom português,
você só encontra se mergulhar

Dentro da Noite Veloz

quinta-feira, agosto 09, 2007



Chaupiscos Digressivos: a metafísica do cocô

O mundo coprofólico enfrenta, com o passar dos tempos, uma série de entraves situados para além do mau funcionamento intestinal. Não se trata, contudo, de um debate recente este que, por nós, intelectuais da escatologia, é conhecido como metafísica do cocô.

Nesse sentido, é no texto bíblico do Gênesis que encontramos, sob aura sacra, a primeira referência acerca do tema, explícito no relato sobre a criação. A passagem reveladora do texto sagrado conta sem pudores aos homens de bom coração que, no início dos tempos, “do barro (de Deus) fez-se o homem”.

Desde então, na tentativa de compreender seu lugar no mundo, a raça humana procurou respostas para sua condição universal e, no curso evolutivo de sua história singular, subverteu crenças, derrubou dogmas e instaurou, por repetidas vezes, uma nova perspectiva, diametralmente oposta à anterior, sobre a relação homem/merda.

Com o Iluminismo, e a crença no homem como centro do mundo, nasceu a corrente filosófica que pregava justamente o contrário do texto bíblico de Gênesis. Sua argumentação fundamental dizia que “se do barro fez-se o homem, do Homem também se faz o barro”. Nesses tempos de luzes os banheiros eram locais de efervescentes trocas, freqüentados por intelectuais e artistas interessados em experimentar a sensação divina do ato da merda. A estátua “O Pensador” - uma das mais famosas esculturas de bronze do escultor francês Auguste Rodin – é uma homenagem ao espírito engrandecedor desse período.

Os novos tempos modernos trouxeram consigo uma reviravolta na realidade do cocô. Do Iluminismo à Revolução Industrial, o homem passou a se sentir tão igual a Deus que resolveu renegar sua obra, no caso, a merda, e cagar para o próprio homem. Por muito tempo os operários de todo o mundo – homens, mulheres e criancinhas – foram tratados como dejeto e jogados no vaso sanitário do capitalismo para que os governos dessem descarga...

Atualmente a pós-modernidade vem suscitando questões relevantes sobre a relação cotidiana estabelecida entre o homem e a merda. Um dos estudos mais interessantes sobre o tema vem do antropólogo russo Brunov Cardovsky Osorov, que estuda o papel do papel higiênico no dia-a-dia do homem pós-moderno. O intelectual propõe uma visão dualista sobre “o ato da limpeza barro-metafísico representado pelo papel higiênico”, que consiste, segundo sua teoria, numa “escolha coordenada assindética entre dois tipos clássicos de papel: o rasga-cu e o borra-dedo (Osorov, 2005).

Ferir o ânus ou borrar o dedo: eis a questão dos novos tempos. Entretanto o que não muda, desde que o primeiro hominídeo pisou na Terra, é que somos seres cagantes e a única coisa que nos diferencia dos outros animais é que tratamos a merda com vergonha. A despeito de fazermos as maiores cagadas do planeta.


Dr. Iohannas Beebop

PHD em Escatologia

Universidade Chicago, Boston.


quarta-feira, agosto 08, 2007



MANCHA DO PASSADO

Definitivamente ela o amava e não foi em vão que jurou estar ao seu lado na alegria e na tristeza, na saúde ou na doença. Desde que o conhecera sabia que era o homem de sua vida, fato este confirmado em cada abrir de portas, em cada casaco oferecido e, sobretudo, no companheirismo diário que fazia dele seu maior cúmplice. Mas agora, aquilo...

A mulher que julgava ter o marido perfeito, isto é, extremamente bem sucedido - um "homem de negócios", como ele mesmo dizia -, bonito, inteligente e compreensivo, descobrira uma terrível mancha em seu passado, bastante recente, por sinal. Ela, na condição de mulher e companheira, se questionava se tinha o dever de aceitar, ou melhor, de se sujeitar a um borrão, uma mácula fétida e vexatória como aquela, revelada no mais íntimo porão da vida de seu amado.

Quando o dito cujo chegou em casa, após um longo dia de trabalho, tudo o que desejava era um bom banho e um jantar pronto, mas antes teve que ouvir, por uns bons vinte minutos, a patroa reclamando e dizendo que nunca mais lavaria uma cueca dele que estivesse suja de cocô.


segunda-feira, agosto 06, 2007

sábado, agosto 04, 2007

quinta-feira, agosto 02, 2007

Contos de Quinta...

O CErco
(ou
"A TORRE")

Suportado por paredes de concreto imaginário, o homem ergueu seu castelo e cercou de muralhas sua recôndita fortaleza. Do outro lado do muro um mundo contra o qual lutava para impedir que adentrassem, e pilhassem, e destruíssem, e reconstruíssem, na praça de suas ilusões, um sem número de duras realidades.

Não era sem razão, contudo, o temor do homem aprisionado na segurança de seus sonhos: bem ali, diante de si, já se mostravam nítidos os efeitos devastadores com os quais haveria de arcar, no caso ver irrompidas suas defesas, o seu precioso Eu. Eram tantos, de tão quantos, não só homens e mulheres reais, com suas diligências reais, mas também – e sobretudo – um sem número de entes fantasmagóricos a exigir, brandindo correntes, foices e molhes de chaves, sua parte no quinhão dourado fortemente protegido à custa da autonegação do homem.

Apesar da vastidão, não havia ninguém em sua propriedade. Seus amigos, amantes, parentes e rostos conhecidos de todo o tipo se encontravam fora de sua cidadela, talvez recém evadidos de medo, talvez aguardando desde sempre uma chance verdadeira de entrarem - quem sabe expulsos sutilmente por ele mesmo de seu paraíso particular. Estava confuso e estava só. Mas a despeito da solidão e da razão embriagada, quem sabe por isso, encontrava-se, também, convicto de sua vitória frente ao cerco.

Conforme a agitação do lado de fora aumentava, e tudo então parecia prestes a ruir, o homem buscava o alto de seu palácio, onde julgava ter uma visão privilegiada de tudo o que se passava, esquecendo-se, convenientemente, que nas alturas de sua torre sem fim encontrava-se cego por névoas de espessa camada irrefletida. Porém era ali, justamente em meio às brumas de sua própria verdade, que o homem procurava tijolo por tijolo da muralha e saudava, com regozijo e desespero, a frágil solidez de sua condição.

De olhos fechados então o homem rezou, dirigindo uma prece a si mesmo. Com sua fé inabalável, cercado por gritos que vinham ecoando ao longo de toda a sua vida, passeou por entre bolas de fogo, lanças, flechas e arpões com placidez, admirado pelos desenhos que formavam ao riscar o céu. Estava maravilhado com sua inquebrantável resistência e via no lastro de sangue deixado atrás de si uma prova irrefutável de sua própria santidade. Sequer ao cair, quando então a torre desfez-se sob seus pés, ele temeu por sua segurança.

O homem pensava poder levitar...


terça-feira, julho 31, 2007


A EXISTÊNCIA TOMADA

Que a vida guarda surpresas para além do seu sempre súbito e traumático interrompimento ele sabia, mas refletia com dificuldades quando necessitava encarar o tema frente a frente. Não havia nada capaz de repô-la quando de seu
defloramento, nada passível de substituí-la quando de sua partida, nada, nada, nada que se aproximasse do cheiro específico, do gosto específico, da tangibilidade específica daquela existência já inexistente e, assim, despida de sentido orgânico.

Morreu sem saber do Cosmo, da grandiosidade do Universo. Morreu, quem sabe, se achando grande em demasia, quando era, na verdade, apenas mais um grão imperceptível na vastidão de um mundo complexo e repleto de mistérios tanto quanto de revelações. Sim, ela morreu. Esmagada. Num lampejo. E só.

Foi assim que, tomado por uma extrema agonia, o rapaz sensível trancafiou-se no quarto, aos prantos. Contudo, seu pai, que já não gostava nada daquela história de "budismo", enfureceu-se com a cena e ameaçou dizimar todo o formigueiro caso o filho continuasse fazendo escândalo tal qual um maricas...


domingo, julho 29, 2007



"Novas idéias, antigos ideais"

sexta-feira, julho 27, 2007


Caros leitores, poderia até dizer que estou sem criatividade e que, no momento, o volume de textos tem se apresentado não só ordinário como, sobretudo, relaxado. Mas a grande verdade é que perdi meu fornecedor de contos, um jovem negro e pobre, morador da periferia, que vende a preço de banana os textos que apresento aqui como meus. Em virtude disso, elaborei uma lista com os cinco melhores contos deste blog - ao menos os que me custaram mais dinheiro - para que os novos leitores possam conhecê-los e os velhos, se assim quiserem, matar suas saudades.

quarta-feira, julho 25, 2007




O tempo passa, o tempo mata, o tempo cura, o tempo falta...
... é sempre o mesmo tempo, no seu tempo diferente.


Mas afinal,
o que se passa com a forma como o tempo passa?
E como pode ser diferente o tempo,
se o tempo é o mesmo para toda gente,
se gente vive no tempo

(ainda que não só no tempo presente)

e se viver é passar para matar,
enfim,
a vida e o tempo,
que continua a passar
mesmo já tendo se passado uma vida?


Assim é que o homem passa

e perde-se no tempo justamente por aquele passar,

que a mudar nos passos dados,

passa por crianças,

e passa por homens,

e passa por velhos,

até que,

finalmente,

consegue passá-los para trás,

passado.

terça-feira, julho 24, 2007



Poderia ter sido ao pôr-do-sol, quando então reluziriam no ferro cromado do revólver os últimos raios de vida do perdedor, mas foi no recinto fechado de um escritório, sob o gélido ar condicionado, que os duelistas concluíram ser o mundo pequeno demais para os dois e decidiram, assim, realizar a fusão de suas empresas.

sexta-feira, julho 20, 2007


# 06


"O tempo é o melhor remédio"


quinta-feira, julho 19, 2007

Contos de Quinta...


O Homem Insólito

Quando nasceu já veio ao mundo com a missão de vencê-lo. Talvez fosse essa a razão de sua baixa estatura, atrofiada pelo peso de Atlas que era, sem dúvida alguma, a carga dessa insana responsabilidade depositada sobre seus ombros esquálidos. Tinha pernas, braços e cabeça atrelados ao tronco tanto quanto tinha a mente e seus cinco sentidos atrelados ao coração.

Nunca foi puro, porque nada nessa vida é uma coisa só. Especialmente nunca esteve só e, a não ser quando refletia sobre o mundo hostil a ser dobrado por ele, jamais considerou caminhar acompanhado apenas por sua própria sombra. Tinha amigos sinceros e inimigos dissimulados. Aos últimos se entregava para o combate totalmente desarmado, se deixando golpear por pena que sentia das mesquinharias e inseguranças alheias. Dos primeiros, porém, era refém confesso; a tal ponto que mesmo carinhos por vezes lhe feriam no rosto.

Como todos, via o mundo com seus próprios olhos, mas como poucos, ele avançava com suas próprias pernas na direção do mundo. Enquanto seguia, porém, jamais teve certeza se o mundo lhe dera tudo o que tinha ou se fora ele mesmo quem arrancara do mundo as suas necessidades e superficialidades vitais. Tinha convicção, porém, que cada passo dado seguia na direção que ele mesmo traçara. Ainda que com isso tivesse que pagar o preço das sinuosidades do percurso, sabia que quando olhasse para trás, contemplando os atalhos e desvios do trajeto, muitos seriam aqueles aos quais deveria agradecer. Ninguém, no entanto, que pudesse lhe cobrar dívidas.

Era um homem livre.

O mundo, da forma como o via, era romântico em suas miudezas. Ele, verdadeiramente miúdo, imaginava, portanto, também ser visto dessa mesma forma. Na forma como concebeu o mundo para o qual foi concebido. Na forma como durante tanto tempo procurou se esconder do mundo. Na forma como o mundo, à sua forma, o protegeu de tudo aquilo que temia, quando pensava justamente não temer nada que não fosse o mundo. Por tudo isso, naturalmente, sempre esperou o melhor dos homens e das coisas, como se os homens e as coisas fossem os homens e as coisas que ele via, da forma romântica como via o mundo tanto quanto por ele esperava ser visto.

Quando o mundo se tornara grande e ele ainda mais miúdo, ficou confuso. O que havia mudado não sabia, novamente, se por ele ou pelo próprio mundo. Sabia apenas que, antes mesmo de notar as pequenas modificações, tudo já se tornara estranho, distante, sem foco. Seu romantismo, seus sonhos, sua missão, tudo havia se apequenado, se tornado duvidoso e, enfim, rarefeito.

Mas o que havia mudado no mundo, senão a forma como ele o concebera? E mudada a forma do mundo, como haveria ele de modificar sua própria forma e lugar no mundo? E mudado o homem, mudado o mundo, ou, mudado o mundo mudado o homem? Fosse o que fosse, o que mudar quando tudo muda?

Era um homem deslocado.

Lembrou-se dos tempos em que ainda vestia calças curtas e o mundo era completamente seu. Naquela época repleta de sonhos, mas também de dificuldades, o menino que um dia fora era capaz de dominar o que quer que fosse contando apenas com os recursos de sua imaginação singela. O que ele via, o que sentia, o que sonhava; o que podia, o que sentia, o que almejava; o que sabia, o que sentia, o que criava. Era ele. O dono (do que sentia).

Chegada a noite o calças-curtas experimentava certa angústia. Apagada a luz, disfarçada a forma das coisas, o que era óbvio cedia vez ao incerto e a certeza apenas uma misteriosa sombra a intimidar o calças-curtas encolhido na cama. O medo das sombras, com o passar dos anos, sumiu. Mas o medo perante a dúvida, por certo, o acompanharia das calças curtas ao paletó. Na vida adulta, porém, não havia um interruptor que acendesse a luz de sua segurança e lhe trouxesse de volta a paz e certezas de antes. Definitivamente não.

E de fato, nada mais era como antes, nem mesmo ele. Ele, não se sabendo mais quem, sentia-se como um personagem importado de outro livro, vivendo outro drama, em outro mundo. À deriva. No desconhecido. Contudo, ainda que se sentisse algo de fictício, sabia de sua verdade, de sua realidade. Sabia-se pleno e ardente, por isso vivo. O personagem que lhe fora imposto, portanto, não partia em busca de um autor que lhe conferisse vida e sentido – como numa trama pirandelliana. Seu desejo, como nos tempos da calça curta, era tão somente o de um mundo onde pudesse atuar.

Era um homem insólito.


quarta-feira, julho 18, 2007


Tomado por angústias e tensões inerentes à sua própria condição humana, o homem sentia-se só, abandonado e vazio quando, percebendo a falta do papel higiênico, concluiu que o mundo era mesmo uma merda.



terça-feira, julho 17, 2007


AS PALAVRAS
SÁBIAS DO
SENHOR
PLAYMOBIL....... (11)


"Mulher que vasculha o bolso do marido
planta prova contra si mesma"


segunda-feira, julho 16, 2007




Eu odeio Millôr Fernandes.




Eu gosto do futebol argentino.

sábado, julho 14, 2007


Vez por outra nosso Fundo de Quintal Literário trará até vocês algumas das melhores postagens de outros blogs, procurando, assim, superar suas próprias limitações criativas e, sobretudo, homenagear as mentes em atividade na rede. Assim, dando prosseguimento à série, um post original de:


Eduardo Bartolomeu Simpson





Réquiem para um hímem

para Dom Eugenio Sales e Lucia Esparadrapo


I- INTROITUS

Querida, querida
não fique arrependida.
É tudo tabu, tudo preconceito.
E, além do mais,
dá câncer.

II- KIRIE (morreu uma criança)
Salve!
Nasceu uma fêmea,
que vai sorrir para o mundo,
vai amar um, odiar outro.
Salve esta anca!
Salve esta potranca!


III- SEQUENTIA
A paixão armazenada na varanda,
os beijos mordidos,
o ventre ao contato íntimo,
os sonos irrequietos,
os sonhos molhados,
a expectativa da novela,
a mão que desliza,
o ritmo taquicárdio,
a masturbação,
o desejado orgasmo.


IV- OFERTORIUM
Esta singela pelinha
eu a ofereço
aos jesuítas, às franciscanas,
ao Imposto de Renda,
ao meu inesquecível pai e
à minha idolatrada mãezinha.


V- BENEDICTUS
Bendito seja este corpo virginal!
Bendita esta boca inocente,
cujos dentes
fazem cócegas
no meu pau.


VI- AGNUS HÍMEN
Que retira os pecados do mundo!
Que fortalece o espírito frágil e
resgata madrugadas insatisfeitas!


VII- HOSANA
Hosana nas alturas – do gozo!
Hosana nas loucuras – da cama!
Hosana, Hosana, Rosana!


VIII- GRANDE FINALE
Querida, querida
não fique arrependida.
Lembre-se que sou seu amigo,
que estou aqui para o que der (principalmente)
e vier.
Anote meu telefone.
Vamos todos em paz!


Contos, poemas e reflexões canalhescas
como você nunca viu só no

Contos da Puta Velha

quinta-feira, julho 12, 2007

Contos de Quinta...

Dulcinéia

Na cidade feia e suja armada de concreto e cinza andava um homem igualmente feio e sujo, concretamente cinza, ziguezagueando invisível por entre esquinas, crimes e dramas alheios. Seus olhos fundos de perdição diziam muito mais sobre si mesmo que os lábios purulentos e a língua fétida de álcool e maledicências poderiam revelar sem trair, com palavras desconexas, a razão de seu degredo.

Certamente nenhum folhetim jamais tratara assim de seu mal e justo por isso eram poucos, talvez nenhum, os capacitados a reconhecer naquele dejeto humano o retrato em preto e branco do amor, marcado em seus contrastes de claro e escuro pela desilusão irreversível do abandono. Não, não havia espaço para sua história no colorido pastel do romantismo nem sombra que encobrisse sua forma distorcida de culpa e falta pela mulher perdida. Encontrava-se em um beco sem saída e, assustando os gatos, foi ao chão tamanha era a loucura.

Era um pedinte, sobretudo de emoções. Após perdê-la, no segundo posterior, já percebia sua vida declinando e, como soubesse de um antes e depois derradeiro, via seu futuro supostamente vibrante escorrer por entre os dedos em uma mistura fugidia que congregava falta de vontade e falta de razão. Como de fato se provou, o desleixo por si mesmo levou o dito homem a uma extrema solidão que, ironicamente, estava submersa em um mundo de transeuntes, automóveis e hostilidades no qual sobrevivia a esmo.

Entre buzinas, xingamentos e palpitações, a metrópole urbana parecia compor a trilha sonora de sua vida como uma ode aos caos na qual imperava, entre agudos ferinos, o tom grave da ausência e da falta de sentido. Vez por outra, quando via singrar em pleno céu a lua dos namorados, escutava o nome de sua amada nos assovios noturnos do vento e pensava ser ele o verdadeiro cantante, em busca de versos que levassem até ela sua voz melancólica e sua mensagem de perdão.

Foi quando acordou subitamente e não acreditou que tudo tivesse sido apenas um sonho e que a mulher era sua, outra vez. Uma onda de adrenalina invadiu aquele corpo dolorido enquanto uma onda de alegria dilacerou aquela mente embotada pela tristeza e confusão. Levantou-se eufórico e, cantarolando o nome de sua eterna amada, pôs-se a caminhar pela avenida na direção de seu destino.

Para ele o momento era de regozijo, de alívio e, sobretudo, de reencontro consigo mesmo. Para os transeuntes habituados com o local, contudo, era apenas mais um dia no qual o mendigo maluco acordava e saía pelas ruas gritando o nome "Dulcinéia".


quarta-feira, julho 11, 2007





... Xuxa era só para os grandinhos.