quarta-feira, julho 25, 2007




O tempo passa, o tempo mata, o tempo cura, o tempo falta...
... é sempre o mesmo tempo, no seu tempo diferente.


Mas afinal,
o que se passa com a forma como o tempo passa?
E como pode ser diferente o tempo,
se o tempo é o mesmo para toda gente,
se gente vive no tempo

(ainda que não só no tempo presente)

e se viver é passar para matar,
enfim,
a vida e o tempo,
que continua a passar
mesmo já tendo se passado uma vida?


Assim é que o homem passa

e perde-se no tempo justamente por aquele passar,

que a mudar nos passos dados,

passa por crianças,

e passa por homens,

e passa por velhos,

até que,

finalmente,

consegue passá-los para trás,

passado.

21 comentários:

SAMANTHA ABREU disse...

tô tão acostumada à tua ironia e tua sátira. que me surpreendo quando te leio assim, tão liricamente tocante.
Adorei.
Beijos!

4rthur disse...

faz tempo que li esse texto. Há tempos que não o relia. Mas apesar de andar meio sem tempo, sempre arrumo tempo pros amigos, principalmente para aqueles que conheço há muito tempo.

Marília Silva Tavares disse...

"Tempo, tempo, mano velho, falta um tanto ainda eu sei!"...
(Sobre o tempo, Pato Fu)
"Sempre em frente, não temos tempo a perder"...
(Tempo perdido, Legião)
Cada um descreve de uma forma, mas a verdade é que ele passa mesmo...
agora!
e agora!
e já foi!
Lindas palavras Diogo!
Beijos

Baco disse...

bom texto, sobre uma temática nada trivial, pelo contrário, bem complicada. Há um grande poeta mexicano, chamado Octavio Paz. Em uma de suas reflexões mais filosóficas que poéticas ele chama atenção para algo importante. Não é o tempo que passa, mas nós que passamos. o tempo sempre já esteve aí, nós, as coisas, é que estamos de passagem pelo tempo.

Baco disse...

Ao longo de toda filosofia o tempo sempre foi questão primeira. Para Kant, era uma das formas do conhecimento sensível, consistindo da conditio sine qua non da experiência humana. Para Heidegger é um atributo ontológico do DASEIN (o ser-aí) tudo estando sempre imerso em seu seio, onde pensar uma existência fora do tempo (DEUS) é completamente impossível, contraditório na própria expressão, uma vez que a existência implica o aspecto temporal daquilo que existe. Enfim, minhas vivências me mostram a cada instante a realidade empírica destas teorias. discordo do último verso, não somos passados, somos passantes. grande abraço.

del leon disse...

disseram aqui que tu "sintetizou e superou" renato russo, pato fu, octavio paz e kant. eu sendo você pediria emprego amanhã na rua da matriz.

The Immature Girl disse...

adoro essa questão de tempo e espaço!
eu tenho uma teoria furada, que é a seguinte: nós viajamos no tempo, quando nos locomovemos de um lugar pra outro! hahahhahaha...
ou seja, o que importa, é como passamos o nosso tempo!
bjuuusss!!!!

khronos disse...

isso não é assunto pra vocês

Baudrillard disse...

é sim

Devair disse...

vão pra casa do chapéu seus almofadinhas!

Henrique disse...

Sempre é bom ganhar meu tempo por aqui!

Vivi disse...

Pois é, ler alguns comentários me poupa o tempo de pesquisar na wikipedia! Formidável! rsrsrs Sobre o poema, belíssimo, principalmente por ser um assunto tão comentado, investigado, e tal. É muito difícil escrever sobre um tema assim sem cair no lugar comum.

Fabrício Fortes disse...

gostei muito do poema, mas discordo do baco, quando ele comenta que o tempo sempre foi questão primeira na filosofia.
Na verdade, o primeiro filósofo a tratar a questão do tempo foi Agostinho (mais de 1000 anos antes de Kant), mas, emfim, já haviam também uns quase mil desde o que se chama "início" da filosofia..
peço desculpas, caro diogo, se estou usando esse espaço para uma discussão acadêmica..
no mais, ótimos versos!

Fabrício Fortes disse...

e quanto a heidegger ser um filósofo, tenho cá minhas dúvidas.

Cascarravias disse...

uma boa inserção dos filósofos no tempo; mais precisamente nos dois tempos, de 45

http://www.youtube.com/watch?v=moWZm66J_yM

Karina disse...

o tempo não existe: a gente é que se gasta...

antropólogo relativista disse...

tudo é tudo, nada é nada;
nada é tudo, e tudo pode.

Tim Maia disse...

antropólogo filho de uma puta, essa frase é minha!

antropólogo relativista disse...

a sua é VALE tudo. subjetivamente, as implicações emânticas da diferença vocabular remetem a distinções irreconciliáveis na cosmologia de cada um, referida ao contexto cultural de sua origem.

portanto senhor Maia, enfia o dedo no cu e canta o hino nacional!

Cascarravias disse...

momento vc sabia

perguntaram para o falecido Timothy Leary que pergunta ele gostaria de fazer para o presidente se tivesse uma chance

Disse o psicodelico pesquisador que perguntaria o seguinte: "presidente, o senhor sabe que horas sao no sol?"

joão jacinto & poemas disse...

Tudo tem um tempo, no tempo.


Abraço,

joão jacinto