Mostrando postagens com marcador Diário de Bordo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Diário de Bordo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, janeiro 09, 2007





Bolhas de Sabão

Um ancião, nos anos da velhice,
Destilou de estudos e reflexões,
A obra de sua ancianidade.
E em suas crespas gravinhas,
A folguejar ele estirou
Muita sabedoria cheia de doçura.

Com fervor tempestuoso, um estudante
Aplicado, em bibliotecas, em arquivos
Pesquisou, ardente de ambição;
Cria uma obra nos seus jovens anos,
De profundidade genial.

Sentado, um menino sopra num caniço,
Enche de ar as matizadas bolhas de sabão,
E uma a uma elas vão estourando
Com a pompa e os louvores de um Salmo;
E a criança entrega toda a alma ao sopro.

E todos os três, o velho, o menino, o estudante,
Vão criando, da espuma da “maia” universal,
Sonhos sedutores, que em si não têm valor,
Porém onde a sorrir, a luz eterna
Reconhece a si própria,
E jubilante inflama-se.

Herman Hesse

“O Jogo das Contas de Vidro”

quarta-feira, dezembro 13, 2006


Diário de Bordo # 02


Tenho galgado escarpas e altos picos,
Por que devo temer perigos nas planícies?
Nas montanhas, defrontei com o tigre
E voltei ileso:
Nas planícies, deparei com o homem
E fui atirado à prisão.



* Difícil é o caminho da Vida (Diário de Prisão de Ho Chi Minh)

quarta-feira, novembro 29, 2006


Diário de Bordo #01

"Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra que é pensada
E a única vida que temos
É essa vida dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada,
Ninguém nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem se que pensar."

(Fernando Pessoa)