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domingo, fevereiro 10, 2008



O bastão dos 30


Oh, homem que tanto sonha ser mais

Livra teus ombros pesados

Lavra tua mente vazia

E entende,

De uma vez por todas,

Que entre o tudo e o nada

Sempre existe algo

Que se pode alcançar

Com as próprias mãos.

quarta-feira, julho 25, 2007




O tempo passa, o tempo mata, o tempo cura, o tempo falta...
... é sempre o mesmo tempo, no seu tempo diferente.


Mas afinal,
o que se passa com a forma como o tempo passa?
E como pode ser diferente o tempo,
se o tempo é o mesmo para toda gente,
se gente vive no tempo

(ainda que não só no tempo presente)

e se viver é passar para matar,
enfim,
a vida e o tempo,
que continua a passar
mesmo já tendo se passado uma vida?


Assim é que o homem passa

e perde-se no tempo justamente por aquele passar,

que a mudar nos passos dados,

passa por crianças,

e passa por homens,

e passa por velhos,

até que,

finalmente,

consegue passá-los para trás,

passado.

quarta-feira, julho 04, 2007


Ode a Cappettino de Araújo


Vai homem,

vai em busca do que é teu,

corre atrás do teu tesouro,

desmitifica tua quimera.


Vai homem,

vai além da tua quimera,

vai e atesta o que é teu,

vai e traz o teu tesouro.


Vai homem,

vai e goza teu tesouro;

vai e faz novas quimeras,

do que pensas ser só teu.


Vai homem,

vai;

que a vida não espera

pra recomeçar.

terça-feira, junho 05, 2007


SEXO & SALVAÇÃO

Sexo é corpo
O corpo é carne
A carne é fraca
E assim vai indo

porém

Salvação é alma
A alma é o divino
Divino é o milagre
Do corpo inquilino

então

Sexo é salvação
Corpo é alma
Carne é divina
E o milagre...

... bem, o milagre é fraco mesmo.

quarta-feira, abril 11, 2007


Manifesto Politicamente Incorreto

Vivemos tempos inquisitoriais e mais do que nunca é preciso andar nos trilhos, ainda que o trem venha sedento e desgovernado em nossa direção, indiferente ao apressar dos passos do andarilho. São tempos de cartilha, de dicionários, de significados e termos exatos, ainda que isso determine uma transgressão da ontologia, na hipocrisia e no contradizer dos fatos.
Somos ratos.

Vivemos tempos inquisitoriais e mais do que nunca transgredir é preciso, ainda que seja obrigatório obedecer ao limite de velocidade, munido de cinto de segurança e air bag, é verdade – caso tenha sobrado algum trocado para o equipamento.
Ande lento.

Vivemos tempos inquisitoriais e mais do que nunca imprecisão é preciso, ainda que às esferográficas tenham se juntado corretores líquidos, e líquido e certo seja o dever do oprimido de não errar um erro não de todo incorreto.
Seja esperto.

Vivemos tempos inquisitoriais e mais do que nunca é preciso nadar, contra e a favor da corrente, o mais que seja conveniente, por mais que a gente se (des) oriente e assim se pense não sair do lugar. São tempos de seguir a trilha, mesmo que a primeira milha desse caminho inusitado seja ainda um troço a desbravar.
Saia do lugar.

Vivemos tempos inquisitoriais e mais do que nunca é preciso troçar, confundir, rir, mangar, provocar, irritar, desafiar. São tempos de transformar o tabu em totem, ainda que, notem, não se saiba nada de Freud ou Oswald de Andrade. São tempos de sacanagem, ainda que sacana mesmo sejam os corretos e boa parte de suas politicagens.
Rir para não chorar.

Mas são tempos de vanguarda, ainda que a retaguarda, pelo valor estratégico e pela simples piada, seja algo a se pensar e, sobretudo, resguardar. Do contrário, serão sempre tempos inquisitoriais, de corretos sisudos e convictos boçais, de tempos inquisitoriais, somente e nada mais, mas que, porém e aliás, são tempos de vanguarda, onde a sorte está guardada, aos loucos, cínicos e àqueles poucos sentimentais.
Seja mais.

terça-feira, março 27, 2007

"Normal"

Eu tenho medo de andar na rua
De manhã quando tem gente normal
Eu tenho medo de gente normal na rua
E cedo isso é muito natural

Gente normal olha desconfiada
E não diz as horas pra ninguém
De manhã, pessoas quase sempre emburradas
(eu tenho medo de encontrar alguém)

Eu tenho pânico de gente chata
Gente normal na rua é geralmente assustador
Mas pior que ver gente normal na rua
É encontrar gente normal no elevador

De perto todo mundo é esquisito
De longe tudo é falso e tão normal
De perto quase ninguém é tão bonito
De longe isso é um problema social

Pedi informação pruma pessoa
E essa pessoa certamente era normal
E como normalmente acontece
Recebi uma cara feia usual

Será então a causa o meu cabelo?
Ou todo meu conjunto visual?
Eu penso, muitos vezes, é meu cheiro!
(malucos quase sempre cheiram mal)

Mas e se eu tivesse um perfume francês?
E se meus olhos não estivessem tão vermelhos?
Talvez passasse como um bom burguês
Talvez quebrassem todos meus espelhos

Eu tenho medo de gente normal
E gente normal tem medo de mim
São medos, entretanto, diferentes
Normal, se isso não fosse tão ruim...